18 de nov. de 2010

Relatos de uma fujona que está de volta!‏

Quem não arrisca, não petisca

O sabor, a nobreza e o cotidiano em Londres

Gente diferente por toda parte, alguns graus abaixo de zero, a Europa toda para conhecer, um trabalho medíocre para ter o que comer. As vitrines estampando as próximas tendências e um saldo que não permite exageros. Uma língua para dominar, diversos povos em um só lugar. Autoconhecimento. Pausa para os erros, tropeços e falhas do passado. Outras virão.

                                                                                                                                 (Fotos:London Eye)

Possibilidades e sonhos. A vida? Só vai se encarregando de ser bem vivida. Tudo novo. O tempo se esvaindo... Hora de desacelerar. Observar, sentir, mudar, mudar e mudar. Conhecer lugares, pessoas, registrar cenas. Arrancar das memórias aquele passado amarrotado, cujo prazer é torturar sua cabeça com a idéia fixa do improvável.

                                                                                                                              (Fotos:Hide Park)

 Experimente café sem açúcar, feijão adocicado, troque seu almoço para o que eles chamam de café da manhã. Substitua o pão com manteiga pelo chá das cinco. Se estiver com pressa, um kebab resolve. Ganhe tempo, cozinhe massa todos os dias. De quebra, acumule pesos. Faça diariamente a mesma promessa de mudar o cardápio e acabará sempre no McDonald’s mais próximo.

                                             (Bélgica - Bruges and Brussels e o  Relógio com 24 horas em Greenwich)


Estude muito e não perca o foco. Drogas, se nunca usou é melhor manter-se longe delas. Elas estão em toda parte e buscam os fracos e os que se julgam “moderninhos”. Não desperdice o tempo dormindo, mas aproveite as tardes sem compromisso e recarregue as energias, se necessário.

Transforme a ida a um supermercado em um evento. Visite todas as seções. Aproveite as tentadoras “Buy one, get one free” (compre um. ganhe outro), converta para a sua moeda e exclame: “Que barato, no Brasil custa tanto!” Delicie-se com queijo brie, cogumelo e aprecie a variedade de vinhos – excelentes e acessíveis. Quem não arrisca, não petisca. Não é mesmo? Por isso, treine seu paladar, prove novos sabores, deguste o mundo, sem medo.



                                                                                  (Hamsley- a maior loja de brinquedos no mundo)

Conheça sua vocação para Amélia, coloque as roupas na máquina e ela se encarregará de todo o resto. Ferro? Só em último caso. Não se surpreenda se aquele seu velho e bom jeans, super sexy, combinado com uma blusinha de malha não forem tão bem vindos assim em uma balada. Acostume-se também a ver os homens vestidos quase ou totalmente como Harry Porter.
Não se espante com o romantismo das roupas ou com aquelas meninas redondas, com suas mangas bufantes, olhos de anis, vestidos curtos e saltos sem equilíbrio. Ouça centenas de vezes as palavras "hiya" ou "sorry", ditas muitas vezes sem sentido ou sentimento. E não estranhe muito se seu melhor companheiro para um look perfeito for uma legging ou uma meia-calça preta. Acredite, funciona!



                                                                                                           (Fotos:Natural History Museum)

A nobreza vive no cotidiano. Nas coisas que funcionam. No respeito às diferenças, ao meio ambiente, ao consumidor (até se ele simplesmente resolveu não querer mais aquele produto que comprou por ter mudado de idéia) e às regras que tornam a sociedade cada vez mais cidadã; na possibilidade de andar pela rua madrugada adentro sem o terror da violência gratuita e ordinária. No pedido de desculpas ou licença, às vezes, até sem necessidade. No acesso à cultura como elemento crucial para o desenvolvimento dos povos.
Para o caos, a precaução. Jean Charles, infelizmente, que o diga. Fatalidade lamentável, que mostra que quando uma pessoa falha. Falha todo um sistema. Lembram do efeito borboleta? Seria isso? Não transformarei o texto em fatos isolados, mas sabemos que só há o belo porque existe o feio, senão, como saberíamos diferenciá-los? Se há dois lados, que possamos aqui ficar só com a melhor parte que, confesso, é também a fatia maior.


                                                                                                       (fotos:  Believe it or not e Hide Park)


              Você pode andar em um só dia de ônibus, metrô, avião e trem. Às vezes, esse trajeto será mais rápido que um bate- volta em Itaquera para ver onde será construído o estádio do Corinthians. Repense sua vida. Ela será programada por semana. Alimentação, moradia, transporte. Trabalhe e, mesmo ganhando o mínimo, ainda será possível obter aquele objeto de desejo convertido em horas, dias, semanas ou meses de trabalho. Tudo dependerá do seu esforço.



                                                    (fotos:Madame Tussauds com Bush, Andy Warhol, Audrey Hapburn)


Apaixone-se. Abra seu coração e esqueça aquela história de príncipe encantado. A palavra de ordem é viver, apenas isso (e olha que toma um tempo precioso da nossa alma). A pessoa certa será sempre aquela que estiver com você no momento até um dos dois decidir partir. Proteja-se. Geralmente, os relacionamentos de duas semanas já serão considerados longos. Afinal, se seu tempo é curto, a probabilidade é de que esse seu novo amor seja menos ainda. Não é pessimismo. É lógica, mas que pode falhar e transformar esse sapinho em algo beeeem melhor.
Organize seu tempo. Planeje viagens. Trace seu roteiro. Faça muitos amigos, mas não confie em todos. Só o suficiente para aprender. Visite lugares. Devore o mundo. Curta você!

Fica a dica por Daniela Rocha